Domingo, 30 de Agosto de 2026

Home Saúde Gravidez tardia: os cuidados reais após anúncio de Maju Coutinho

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Em publicação no Instagram, a jornalista Maju Coutinho, de 48 anos, revelou que está esperando seu primeiro filho com o artista plástico Agostinho Paulo Moura, de 61 anos. “Mãe de primeira viagem e pai de terceira viagem embarcando no show da vida particular”, escreveu Maju.

A notícia surpreendeu alguns internautas, afinal, é de conhecimento geral que um dos fatores de maior impacto nas chances de gravidez espontânea é a idade da mulher, já que ela nasce com uma quantidade pré-determinada de óvulos, que sofrem uma diminuição considerável também na qualidade com o passar dos anos.

“Principalmente a partir dos 35 anos, a chance de gravidez espontânea cai significativamente. Aos 40 anos, considerando uma mulher sem nenhum outro fator de infertilidade e um parceiro que também não apresente nenhum problema, a chance de gravidez espontânea a cada ciclo, ou seja, a cada tentativa, é de 5% a 10%, no máximo. Isso aos 40 anos. Daí para frente, as chances são ainda menores. As mulheres engravidam aos 40 anos ou mais, mas é uma situação de exceção”, explica o ginecologista Igor Padovesi.

Segundo Rodrigo Rosa, especialista em reprodução humana, com a idade, além da redução do número, os óvulos também sofrem com uma diminuição na qualidade, o que torna as mulheres menos propensas a engravidar e com maior risco de abortos espontâneos.

“Uma mudança importante na qualidade do óvulo é a frequência de anormalidades genéticas chamadas aneuploidia (muitos ou poucos cromossomos no óvulo). Na fertilização, um óvulo normal deve ter 23 cromossomos, de modo que, quando fertilizado por um espermatozoide também com 23 cromossomos, o embrião resultante terá o total de 46 cromossomos. Mas, à medida que uma mulher envelhece, mais de seus óvulos têm poucos ou muitos cromossomos. Isso significa que, se ocorrer a fertilização, o embrião também terá muitos ou poucos cromossomos. A maioria das pessoas está familiarizada com a Síndrome de Down, uma condição que ocorre quando o embrião tem um cromossomo extra. E a maioria dos embriões com muitos ou poucos cromossomos não resulta em gravidez ou resulta em aborto espontâneo. Isso ajuda a explicar a menor chance de gravidez e maior chance de aborto em mulheres com mais idade”, esclarece.

Segundo o ginecologista Carlos Campagnaro, a classificação de gravidez tardia não significa que a gestação será necessariamente problemática, mas indica a necessidade de uma atenção maior durante o pré-natal. “A partir dos 35 anos, observamos mudanças fisiológicas que podem aumentar alguns riscos obstétricos e fetais. Isso não quer dizer que a mulher não possa ter uma gravidez saudável, mas sim que o acompanhamento médico deve ser mais criterioso”, explica.

Aos 45 anos, a gestação é considerada de idade materna avançada porque o organismo feminino já passou por importantes transformações relacionadas ao envelhecimento reprodutivo. Nessa fase, ocorre uma redução significativa da reserva ovariana e da qualidade dos óvulos, fatores que influenciam tanto a fertilidade quanto o desenvolvimento da gravidez. “O envelhecimento dos óvulos aumenta a probabilidade de alterações cromossômicas, além de tornar a concepção naturalmente mais difícil quando comparada às mulheres mais jovens.”

Na prática, a gestação tardia apresenta algumas diferenças em relação às gestações de mulheres mais jovens. Há uma maior necessidade de monitoramento da pressão arterial, do controle glicêmico e do crescimento fetal, além de uma investigação mais detalhada de possíveis alterações genéticas. Exames específicos de rastreamento costumam fazer parte da rotina do pré-natal para oferecer maior segurança à mãe e ao bebê.

Entre os principais riscos associados à gravidez tardia estão o aumento das chances de hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, parto prematuro e necessidade de cesariana. Também há maior incidência de alterações cromossômicas fetais, como a síndrome de Down.

“No entanto, os avanços da medicina materno-fetal têm permitido identificar precocemente muitas dessas condições, reduzindo significativamente suas complicações. Hoje dispomos de recursos diagnósticos e de acompanhamento que possibilitam excelentes resultados mesmo em gestações consideradas de maior risco”, destaca o professor do Unesc.

Os cuidados extras realmente necessários envolvem um pré-natal iniciado precocemente e realizado de forma regular. “A adoção de hábitos saudáveis, incluindo alimentação equilibrada, prática de atividade física orientada, controle do peso corporal e acompanhamento de doenças pré-existentes, também é fundamental. Em alguns casos, o médico poderá solicitar exames complementares ou consultas com especialistas para um monitoramento mais detalhado”, diz o professor do Unesc.

Apesar dos desafios biológicos, engravidar após os 40 anos não deve ser encarado como motivo de preocupação excessiva. “O mais importante é que a gestação seja planejada e acompanhada adequadamente. A idade, por si só, não determina o sucesso ou o fracasso de uma gravidez. O que faz a diferença é a avaliação individualizada da saúde da mulher e a realização de um pré-natal bem conduzido”, ressalta Carlos Campagnaro.

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