Quarta-feira, 02 de Setembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 2 de setembro de 2026
Em sua primeira visita ao Egito em uma década, o presidente da China, Xi Jinping, afirmou que os países do Oriente Médio devem ser “mestres de seu próprio destino” e buscar uma nova “arquitetura de segurança” para a região. A viagem de Xi ao Cairo, que antecede um encontro previsto com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ainda neste mês, ocorre em um momento em que Pequim busca ampliar sua influência sobre um tradicional parceiro de segurança de Washington, em uma região marcada por conflitos.
Durante a visita, Xi e o presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, concordaram em ampliar os investimentos na Zona Econômica do Canal de Suez e assinaram acordos de cooperação em inteligência artificial, comércio e cadeias de suprimentos, entre outras áreas.
Em uma referência indireta aos Estados Unidos, Xi pediu às “grandes potências de fora da região” que “abandonem o padrão dos dois pesos e duas medidas” e respeitem a soberania e a integridade territorial dos países do Oriente Médio, segundo comunicado divulgado pela agência oficial chinesa Xinhua.
“Devemos defender o princípio de que os povos do Oriente Médio são donos de seus próprios assuntos, nos opor à interferência externa e apoiar os países da região no fortalecimento do diálogo sobre a paz e a segurança”, disse Xi a Sisi durante o encontro, de acordo com a Xinhua.
Segundo a Presidência egípcia, os dois países, que integram o grupo Brics de economias emergentes, assinaram um acordo para lançar a terceira fase da zona industrial conjunta entre Egito e China. O complexo já abriga cerca de 200 empresas e reúne investimentos estimados em US$ 4 bilhões (R$ 20,6 bilhões, na cotação atual).
O governo egípcio não divulgou os valores dos novos investimentos, mas os acordos ampliam a presença chinesa na Zona Econômica do Canal de Suez, uma área estratégica para o comércio internacional e para as rotas marítimas que ligam a Ásia, a Europa e o Oriente Médio.
Ainda de acordo com a Xinhua, a China afirmou estar disposta a trabalhar com “todos os países” para proteger as rotas marítimas internacionais e “eliminar os focos de conflito”. A questão ganhou maior relevância diante dos impactos dos conflitos na região sobre o tráfego marítimo nos estreitos de Ormuz e de Bab al-Mandeb.
A visita de Xi ao Egito também busca demonstrar que Pequim mantém relações estratégicas com países que tradicionalmente estão dentro da esfera de influência de Washington. No mês passado, o governo Trump prometeu aumentar a pressão econômica sobre o Irã e ameaçou ampliar as sanções contra países e empresas que mantêm relações comerciais com Teerã. A China é o principal comprador do petróleo exportado pelo Irã, respondendo por mais de 80% das compras.
O Egito, que recebe cerca de US$ 1,3 bilhão (aproximadamente R$ 6,9 bilhões, na cotação atual) por ano em ajuda militar dos Estados Unidos, tem ampliado nos últimos anos a cooperação econômica e militar com a China.
Em um artigo publicado antes da visita, segundo a agência Reuters, Sisi afirmou que o Egito busca adotar uma política de “equilíbrio estratégico” diante do aumento da rivalidade entre as grandes potências. A aproximação com Pequim ocorre, portanto, enquanto o Cairo procura preservar sua relação histórica com Washington e, ao mesmo tempo, ampliar as alternativas de cooperação econômica e estratégica.