Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026

Home Tecnologia O mundo está certo em temer a inteligência artificial, mas precisa confiar nas empresas, diz chefe da OpenAI

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Sam Altman, CEO da OpenAI, empresa responsável pela ferramenta ChatGPT, afirmou que as pessoas deveriam confiar mais em sua empresa e em outras companhias do setor para conduzir de forma responsável o desenvolvimento da inteligência artificial (IA). A declaração ocorre em meio à crescente preocupação com os riscos ligados ao avanço dessa tecnologia.

“O mundo deveria confiar que faremos a coisa certa porque é o certo a fazer e porque temos consciência da dimensão disso”, disse Altman na terça-feira (15), durante uma conferência anual organizada pela empresa de software Salesforce em San Francisco, nos Estados Unidos.

Altman reconheceu, no entanto, que há motivos para temer a IA, diante da rapidez com que ferramentas com essa tecnologia têm avançado.

“Não precisamos de tanta imaginação como antes para (nós) imaginarmos como isto poderia correr mal”, disse Altman. “Acho que o mundo tem razão em ter medo disso.”

Foi a primeira vez que Altman falou publicamente desde que duas publicações de pesquisadores da Anthropic, responsável pela ferramenta Claude, viralizaram na semana passada. Uma delas era de Jacob Coxon, que deixou a empresa; a outra, de Evan Hubinger, cientista da Anthropic, que afirmou que, sem controle, a IA poderia matar todos os seres humanos até o fim da década.

Alguns executivos e especialistas em IA disseram concordar com a avaliação apocalíptica, mas não explicaram como chegaram a essa conclusão nem de que maneira a tecnologia poderia provocar esse resultado catastrófico.

A repercussão das declarações aumentou, nos últimos dias, a atenção sobre a forma como a IA vem sendo desenvolvida. Diante disso, o presidente-executivo da Anthropic, Dario Amodei, defendeu que o ritmo de desenvolvimento da tecnologia seja reduzido e pediu que governos regulamentem o setor.

A publicação de Amodei recebeu o apoio de Altman, de Demis Hassabis, cofundador da DeepMind, do Google, e de Elon Musk, dono da rede social X e do assistente de IA Grok.

Até terça-feira, outros dirigentes do setor também passaram a defender que as próprias empresas estabeleçam controles sobre o desenvolvimento da tecnologia, em vez de deixar essa tarefa a cargo dos governos.

Altman afirmou acreditar que empresas como a OpenAI são capazes, em essência, de se autorregular.

“Vamos fazer isso direito. Tenho muita confiança na capacidade da nossa empresa e do setor de fazer isso com segurança”, disse. Segundo Altman, as empresas manterão “o alinhamento (em resumo, alinhar a IA com os valores humanos) e a segurança muito à frente das capacidades” e, caso não consigam, “vão desacelerar ou parar”.

Apesar das declarações, políticos fizeram ressalvas à possibilidade de o próprio setor estabelecer seus controles.

Em Washington D.C., capital dos EUA, nomes importantes ao longo do espectro político americano defenderam maior controle sobre o desenvolvimento de ferramentas de IA, incluindo o senador independente Bernie Sanders e Steve Bannon, ex-assessor de Donald Trump e um dos principais nomes da direita americana.

Sanders afirmou que as decisões sobre o desenvolvimento da IA têm sido tomadas por “um punhado das pessoas mais ricas do mundo”. Ele citou, entre outros, Musk, Mark Zuckerberg, presidente-executivo da Meta, e Jeff Bezos, fundador da Amazon.

“As pessoas deste país precisam tomar as decisões sobre a IA, e não apenas um punhado de oligarcas”, disse Sanders durante uma conferência em Washington D.C.

Bannon também questionou a capacidade do setor de tecnologia de se autorregular.

“Nunca podemos confiar no que diz um oligarca porque… eles são dissimulados e mentem”, afirmou Bannon na mesma conferência.

Após as declarações de Altman, Zuckerberg, da Meta, escreveu na rede social X que todos os laboratórios de IA têm condições e incentivos para “tomar as suas próprias medidas” na criação de ferramentas e modelos de IA desenvolvidos com foco em segurança.

“Qualquer laboratório que não priorizar o alinhamento ficará para trás”, escreveu Zuckerberg. “Os laboratórios podem enfrentar uma responsabilização significativa se seus modelos causarem danos, por isso também têm fortes incentivos para evitar que isso aconteça.” (Com informações do portal g1)

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