Terça-feira, 16 de Agosto de 2022

Home em foco Para conter ômicron, Alemanha restringe acesso a bares e restaurantes

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O governo da Alemanha anunciou o aperto das restrições sanitárias no país, em uma tentativa de conter o avanço da variante ômicron e incentivar a procura por doses de reforço da vacina contra a covid-19.

Lidando com recordes diários de casos, o chanceler Olaf Scholz e as lideranças regionais concordaram que só pessoas que já receberam a dose adicional poderão frequentar bares, restaurantes e outros espaços gastronômicos sem apresentar testes negativos para o coronavírus.

Em um discurso após uma reunião com os primeiros-ministros dos 16 estados do país, cargos equivalentes aos de governadores, Scholz afirmou que o governo planeja distribuir 30 milhões de injeções extras até o fim de janeiro. Quem já tomou o reforço ficara isento de realizar quarentena após ter contato com uma pessoa já infectada — medida similar à já anunciada por Portugal.

“As vacinas são importantes. Precisamos fazer mais progresso aqui”, disse o político social-democrata, que substituiu Angela Merkel no início de dezembro. “Está claro que a ômicron ficará conosco por um tempo, então ainda não podemos dar um sinal verde para o nosso sistema de saúde”, completou ele, afirmando que o aumento das internações é esperado.

A Alemanha ainda não vê um aumento de casos tão drástico quanto outros países da região. A média móvel atual do país é 12% inferior a duas semanas atrás, contagem que pode ter sido prejudicada pelas festas de fim de ano. Na vizinha França, por exemplo, os casos aumentaram 192% no mesmo intervalo. Na Itália, cresceram mais de 315%.

Já há, contudo, um aumento da incidência semanal de casos por 100 mil pessoas, segundo o Instituto Robert Koch, a principal autoridade sanitária do país. O índice caiu por quase todo o mês de dezembro, mas desde então voltou a ultrapassar a casa dos 300 por 100 mil habitantes, ainda bem menos que os 450 por 100 mil que via no fim de novembro.

O governo, ainda assim, se prepara para uma alta, buscando medidas que fujam de novas quarentenas ou restrições de locomoção mais draconianas — estratégia que vem sendo a preferencial nesta nova etapa da pandemia, aparentemente menos letal. A principal economia da Europa já está em uma espécie de quarentena dos não vacinados, que têm acesso limitado a lojas não essenciais, restaurantes e teatros.

Também há em vigor regras que determinam o uso de máscaras, com recomendações para que a população dê preferência aos modelos N95 e PFF-2, e restrições a aglomerações públicas. Vários dos Estados alemães, que têm autonomia para ditarem suas próprias políticas sanitárias, também acirraram suas próprias diretrizes.

“[O setor da] gastronomia é um problema, porque as pessoas geralmente se sentam por horas sem máscara”, havia dito na quinta o ministro da Saúde, Karl Lauterbach. “Nós precisamos reduzir ainda mais o contato.”

Vacinação obrigatória em xeque

Há meses, e antes mesmo de ser empossado como chanceler, Scholz defende a vacinação obrigatória, e chegou a afirmar que ela seria implementada neste ano. A ideia, contudo, perde cada vez mais apoio no país, que já aplicou a segunda dose em mais de 71% de sua população, mas é lar de um dos movimentos antivacina mais fortes da Europa.

O primeiro debate sobre a medida no Bundestag, o Parlamento alemão, estava previsto para esta semana, mas foi adiado para o fim do mês. Há poucas propostas concretas de como isso ocorreria e nenhum texto foi formulado até o momento. O Partido Social-Democrata, principal força da coalizão de governo com os liberais e os verdes, já admite que o processo não deve terminar antes de março.

O tema da é motivo de discórdia na coalizão governista, com os verdes e os liberais demonstrando reserva no que diz respeito à obrigatoriedade da imunização. Querem garantir a “liberdade de consciência individual”.

“A proteção da saúde é um bem precioso, mas o bem mais precioso da nossa Constituição é e seguirá sendo a liberdade”, disse o ministro das Finanças, Christian Lindner, líder dos liberais, que preferem esperar para ver como a Ômicron se comportará na Alemanha antes de tomarem decisões mais contundentes.

O impasse é um revés para Scholz, que tem o controle da pandemia como um dos desafios principais de seu governo. Outro obstáculo no seu caminho é a proposta para um registro de vacinação centralizado, ambos assuntos sensíveis em um país que segue traumatizado pela vigilância massiva implementada pelo regime nazista e, depois, na Alemanha Oriental.

“Se entre fevereiro e março houver indícios concretos que mostrem que a vacinação obrigatória implica em um claro aumento da liberdade de circulação para todos nós, então vamos defender essa solução”, disse o ministro da Justiça, Marco Buschmann, também liberal, ao semanário Die Zeit.

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