Quinta-feira, 30 de Maio de 2024

Home em foco Risco de recessão cresce na Europa, após ameaça russa de não retomar o fornecimento de gás

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A declaração da Rússia de que não retomará o fornecimento de gás para a Europa pelo gasoduto Nord Stream 1 enquanto as sanções pela invasão da Ucrânia não forem revistas acendeu o sinal de alerta nos mercados. A maior parte das Bolsas na região encerrou em baixa, e o euro chegou a ser cotado abaixo de US$ 0,99 durante o pregão, o menor patamar em 20 anos. A leitura de economistas é que a crise tem potencial para deixar a Europa à beira da recessão.

A avaliação é que o choque energético coloca o continente diante de um dilema: pressiona os preços, no momento em que a inflação atinge o maior patamar em décadas. Isso aumenta a necessidade de subir juros e mina a capacidade de recuperação da economia.

Enquanto uma solução para o impasse parece longe de ser alcançada, os países da região estão oferecendo medidas de ajuda em série para enfrentar a alta nos preços da energia. Somadas, as iniciativas já chegam a 375 bilhões de euros. Somente no domingo, a Alemanha anunciou que vai destinar 65 bilhões de euros para o auxílio de empresas e da população. O total em pacotes de socorro já chega a 95 bilhões de euros.

Considerando estas cifras, desde que foi deflagrada a guerra da Ucrânia, há pouco mais de seis meses, a Alemanha já gastou praticamente um terço dos recursos empregados para lidar com o impacto da pandemia ao longo de dois anos (300 bilhões de euros).

O país tem corrido para instalar terminais de gás natural liquefeito, buscando fornecedores. Anunciou que pretende manter duas de suas três usinas nucleares como reserva. Elas parariam de funcionar no fim do ano, como parte do compromisso de abandonar esta fonte de energia, mas devem ser mantidas para garantir o suprimento de eletricidade no inverno.

Inflação

Nos últimos meses o país ampliou seu estoque de gás para 85%. A meta era alcançar 95% em novembro, mas com o corte do Nord Stream 1, dificilmente isso será possível. Em agosto, o presidente da agência reguladora de energia da Alemanha, Klaus Mueller, disse que mesmo com 100% de estoque, uma interrupção total do fornecimento de gás russo esvaziaria a reserva em dois meses e meio.

Semana passada, a estatal russa Gazprom interrompeu o suprimento do Nord Stream 1 citando falhas técnicas. Seria feita manutenção por três dias. Na sexta, porém, a Gazprom disse que não reativaria o duto, alegando ter identificado vazamento de óleo em uma turbina que ajuda a bombear o combustível, e não informou nova data para voltar a funcionar.

O anúncio ocorreu no mesmo dia em que o G7, grupo que reúne as economias mais avançadas, disse que limitaria o preço do petróleo russo.

A Gazprom alega que as turbinas são de fabricação alemã e canadense, e que as sanções dificultam o reparo. Há semanas, uma peça está presa em um limbo na Alemanha, com Moscou e Berlim discutindo os documentos necessários para o transporte. O governo do chanceler Olaf Scholz acusa Moscou de usar o combustível como “arma de guerra”.

No mercado, a expectativa é que o agravamento da crise de energia na Europa eleve os riscos para uma economia global que já enfrenta inflação alta e persistente, além de uma onda de altas de juros. Na Europa, o aprofundamento do choque energético pressionaria mais a inflação, já que encarece os custos de produção e limita a produção de mercadorias.

O Banco Central Europeu (BCE) se reúne nesta quinta-feira (8). Formuladores de política monetária avaliam que, mesmo com a piora do cenário, ele vai subir os juros, para manter as expectativas de inflação sob controle.

Ministros de Energia da região se reúnem nesta sexta (9) para discutir opções que podem ir desde um teto de preço ao gás importado a linhas emergenciais de crédito e taxação de outras fontes de energia para financiar pacotes de socorro.

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