Domingo, 22 de Maio de 2022

Home em foco Suposta espiã chinesa teria se infiltrado no Parlamento britânico. China ironiza

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O serviço de inteligência interna do Reino Unido, o MI5, alertou os parlamentares que um suposto agente chinês “realizou atividades de interferência política” no Parlamento, informaram as autoridades de Westminster na última semana.

O gabinete do presidente da Câmara dos Comuns, Lindsay Hoyle, confirmou ter enviado um e-mail aos legisladores para informá-los sobre o caso.

“O ‘speaker’ (presidente da Câmara) leva muito a sério a segurança dos deputados e o processo democrático, para o qual emitiu este aviso em consulta com os serviços de segurança”, declarou uma porta-voz de Hoyle.

A embaixada chinesa em Londres negou as acusações e disse que nunca precisou ou procurou “comprar influência em qualquer parlamento estrangeiro”.

“Nós nos opomos fortemente ao truque de difamar e intimidar a comunidade chinesa no Reino Unido”, criticou.

A mensagem identificava a suspeita como Christine Lee, afirmando que ela “realizou atividades de interferência política em nome do Departamento de Trabalho da Frente Unida do Partido Comunista Chinês”, órgão que busca manter contato com personalidades ou grupos de fora do partido.

Esta advogada baseada em Londres teria doado 200 mil libras (US$ 275 mil dólares, ou 239 mil euros) ao deputado trabalhista Barry Gardiner e centenas de milhares ao seu partido.

A ex-primeira-ministra conservadora Theresa May – cujo partido foi acusado de receber milhões de libras de doadores russos – concedeu a Lee um prêmio em 2019 em reconhecimento por sua contribuição para os laços entre a China e o Reino Unido.

Lee também foi fotografada com o antecessor de May, o conservador David Cameron, em um evento em 2015, e separadamente com o ex-líder trabalhista Jeremy Corbyn.

“Isso facilitou doações financeiras para deputados em serviço e aspirantes em nome de estrangeiros baseados em Hong Kong e na China”, segundo a mensagem de Hoyle. “Foi feito de forma encoberta para mascarar a origem dos pagamentos”.

Após o aviso do MI5 sobre as atividades de Lee, o ex-líder conservador Iain Duncan Smith, altamente crítico de Pequim, pediu uma ação forte.

No ano passado, a China impôs sanções a 10 pessoas e organizações no Reino Unido, incluindo Duncan Smith, pelo que chamou de disseminação de “mentiras e desinformação” sobre abusos de direitos humanos na região de Xinjiang (noroeste da China).

Lee não foi detida nem deportada, mas foi banida do Parlamento, denunciou.

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