Quinta-feira, 06 de Agosto de 2026

Home Política Repasse a ex-chefe de gabinete de Lula acentua desgaste do presidente em meio à campanha eleitoral

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A revelação de que a empresária Roberta Luchsinger fez um repasse financeiro para Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acentuou o potencial desgaste de inquéritos da Polícia Federal (PF) na candidatura à reeleição do petista. Roberta é amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e alvo de inquéritos da PF por suspeita de tráfico de influência no governo juntamente com o filho mais velho do presidente da República.

Ciente da repercussão negativa para sua campanha, Lula pediu ao ex-auxiliar direto para explicar em detalhes o repasse financeiro. Braço direito de Lula, e até pouco tempo responsável por marcar suas audiências no Palácio do Planalto, Marcola disse, em nota, que o repasse – que ele alega ter sido um empréstimo – foi quitado com uma transferência bancária de R$ 249 mil. Lula, até o momento, lidera todos os cenários de primeiro e segundo turno, de acordo com as pesquisas de intenção de voto.

Apontada como lobista, Roberta é alvo de outros inquéritos abertos pela PF, sob suspeita de participar de um esquema de fraudes no desconto de aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Lulinha responde a três inquéritos para apurar suspeitas de tráfico de influência no governo federal. Dois deles estão com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e o último foi autorizado ontem por seu colega Flávio Dino (mais informações nesta página). As investigações também envolvem a atuação de Roberta.

Nos bastidores, integrantes do comando da campanha de Lula admitem o desgaste crescente com os episódios recentes e agem para tentar blindar o presidente. A cúpula da campanha petista cobrou do exchefe de gabinete a apresentação de explicações.

Marcola contratou o advogado Georges Abboud para defendê-lo. A interlocutores com quem conversou nos últimos dias, no Planalto, Lula disse confiar no ex-auxiliar, que deixou a chefia de gabinete no último dia 21 para integrar a coordenação da campanha à reeleição. O Estadão apurou que, à época, o presidente já sabia que o nome de seu assessor seria citado nas investigações.

Cientista político, Marcola exercia o cargo no Planalto – no mesmo andar do gabinete presidencial – desde janeiro de 2023. Agora, atua ao lado de Gilberto Carvalho, que também foi chefe de gabinete de Lula nos dois primeiros mandatos. Os dois vão cuidar da agenda do presidente na campanha, a exemplo do que fizeram na disputa de 2022.

Inquérito

A transação entre Roberta e Marcola foi citada pela PF no pedido de abertura de inquérito para apurar tráfico de influência de Lulinha no Ministério da Saúde e no Planalto. Uma das hipóteses sob investigação é se o pagamento seria propina para abrir portas no governo.

Em uma primeira nota, Marcola afirmou que contraiu um empréstimo com Roberta, disse que a dívida já foi quitada e garantiu não ter feito nada de ilegal. “Nunca tive nenhuma relação que caracterize qualquer ilegalidade no exercício de minha função”, assinalou.

Depois, ele divulgou uma segunda nota, informando que pagou o empréstimo a Roberta com uma transferência bancária de R$ 249 mil. Destacou, ainda, que seus sigilos bancário e fiscal estão integralmente à disposição das autoridades judiciais. “Sempre pautei minha atuação pública pela ética, compromisso e transparência”, escreveu Marcola. “A quem apresenta especulações e ilações, respondo com fatos, documentos e a minha inteira disposição e tranquilidade de colaborar com a Justiça.”

O episódio foi prontamente explorado pelo, até aqui, principal adversário de Lula na disputa presidencial. Em um vídeo publicado no X, o senador Flávio Bolsonaro (RJ), candidato do PL ao Planalto, cobrou explicações sobre o repasse de Roberta a Marcola. “As autoridades agora precisam fazer algumas perguntas. A mais importante e óbvia: por que ele recebeu esses milhares de reais? De onde vem o dinheiro? É dinheiro do aposentado”, disse, em referência à investigação sobre as fraudes no INSS. (Com informações de O Estado de S. Paulo)

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