Quarta-feira, 29 de Julho de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 29 de julho de 2026
O dólar encerrou a sessão desta quarta-feira (29) em queda, enquanto a Bolsa brasileira registrou forte recuo, em um dia marcado pela decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, e pela escalada das tensões no Oriente Médio.
A moeda norte-americana caiu 0,27%, cotada a R$ 5,1080. Já o Ibovespa, principal índice da B3, fechou em baixa de 1,52%, aos 173.885 pontos.
Com o resultado, o dólar passou a acumular alta de 0,53% na semana, queda de 1,06% no mês e recuo de 6,94% no ano. O Ibovespa, por sua vez, registra avanço de 0,08% na semana, alta de 1,26% em julho e valorização de 7,92% em 2026.
Manutenção nos EUA
O principal evento do dia foi a decisão do Federal Reserve de manter a taxa básica de juros dos Estados Unidos na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano, conforme amplamente esperado pelos investidores. Esse é o menor patamar desde setembro de 2022 e marca a quinta reunião consecutiva em que a autoridade monetária opta por não alterar os juros.
A manutenção da taxa reforça a estratégia do banco central americano de acompanhar os próximos indicadores econômicos antes de decidir por novos cortes ou pela continuidade da política monetária atual. O mercado acompanhou com atenção o comunicado da instituição e as sinalizações sobre a trajetória da inflação e do mercado de trabalho nos Estados Unidos.
A decisão teve impacto sobre os mercados globais, com investidores reavaliando perspectivas para os ativos de risco e para o comportamento do dólar nos próximos meses.
Escalada no Oriente Médio
Além da decisão do Fed, os investidores seguiram atentos ao aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio.
O governo do Irã acusou os Estados Unidos de terem bombardeado a cidade de Piranshahr, no noroeste do país. Se confirmado, seria o primeiro ataque americano em território iraniano nesta semana. A acusação foi feita um dia após a Guarda Revolucionária do Irã lançar um ataque com mísseis balísticos contra uma base militar dos Estados Unidos na Jordânia.
Em comunicado, o Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos (CentCom) informou que “todos os mísseis iranianos foram interceptados com sucesso” e acrescentou que “as forças dos EUA permanecem vigilantes e em alto estado de prontidão”.
Na sequência do ataque iraniano, Estados Unidos e Arábia Saudita realizaram ações militares conjuntas contra grupos armados pró-Irã no Iraque. A Autoridade de Mobilização Popular iraquiana informou que os bombardeios deixaram mortos e feridos, sem divulgar um balanço definitivo de vítimas.
O agravamento do conflito provocou uma forte alta nos preços internacionais do petróleo, refletindo o receio de que a guerra afete o abastecimento global da commodity.
O barril do Brent, referência para o mercado internacional, avançou 8,25%, encerrando o dia cotado a US$ 91,03. Já o petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, subiu 7,09%, para US$ 84,88 por barril.
Os investidores voltaram a demonstrar preocupação com a possibilidade de interrupções no tráfego pelo Estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde circula aproximadamente 20% do petróleo comercializado no mundo. Qualquer restrição à navegação na região pode reduzir a oferta global da commodity, pressionar os preços da energia e aumentar os riscos para a inflação em diversas economias.
Diante desse cenário, o mercado permaneceu dividido entre os efeitos da manutenção dos juros americanos e o aumento das incertezas geopolíticas, fatores que influenciaram o desempenho dos ativos ao longo de toda a sessão.