Quarta-feira, 29 de Julho de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 29 de julho de 2026
O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, decidiu nesta quarta-feira (29) manter a taxa básica de juros na faixa entre 3,5% e 3,75% ao ano. A decisão era a mais esperada pelo mercado financeiro, mas esteve longe de ser um consenso, tanto entre investidores quanto entre os integrantes da própria autoridade monetária.
Antes da reunião, os contratos futuros de juros negociados no CME Group indicavam cerca de 65% de probabilidade de manutenção da taxa e pouco mais de 35% de chance de uma elevação de 0,25 ponto percentual. Normalmente, às vésperas das decisões do Fed, uma das alternativas costuma concentrar entre 90% e 95% das apostas do mercado, o que evidencia o nível de incerteza que antecedeu o encontro.
A votação também chamou atenção pelo elevado número de dissidências. Nove integrantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) votaram pela manutenção dos juros, enquanto Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan defenderam um aumento de 0,25 ponto percentual. Foi o maior número de votos divergentes em uma decisão do Fed desde 2016. Antes da reunião, parte dos analistas esperava apenas dois votos favoráveis à alta dos juros.
O resultado reforçou a percepção de que cresce, dentro do banco central americano, a preocupação com a inflação, sobretudo após a disparada dos preços do petróleo provocada pela escalada das tensões no Oriente Médio. Embora o comunicado divulgado pelo Fed tenha sofrido poucas alterações em relação ao encontro anterior, o placar da votação foi interpretado como um sinal de que novas altas de juros permanecem sobre a mesa.
Para Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, a divisão entre os dirigentes aumenta a expectativa de aperto monetário nas próximas reuniões.
“Nove membros votaram a favor da manutenção e três defenderam o aumento da taxa em 0,25 ponto percentual, o que reforça a expectativa de elevação em algum momento no futuro, a não ser que o choque de preços, especialmente motivado pela geopolítica, seja endereçado”, afirmou. Segundo ela, o comunicado manteve praticamente a mesma redação da reunião anterior, preservando o compromisso do Fed com a estabilidade dos preços.
Na avaliação de Vinicius Flores, gestor de investimentos e fundador da Stratton Capital, a decisão transmitiu sinais distintos ao mercado. Segundo ele, o comunicado adotou um tom mais moderado ao reconhecer que parte da inflação decorre de choques de oferta, enquanto a votação revelou um comitê mais inclinado a discutir novos aumentos dos juros.
“O Fed reconheceu que a inflação elevada reflete, em partes, choques de oferta, que não se combatem com juros mais altos. Ao fazer essa separação, a instituição sinalizou que entende a natureza do problema e que não pretende reagir de forma automática a uma pressão inflacionária que está fora do seu controle”, avaliou Flores.
Ao mesmo tempo, o gestor ressaltou que a mudança no placar em relação à reunião anterior merece atenção. “Essa dissidência tripla mostra que o apetite por aperto monetário está crescendo dentro do comitê”, disse.
Logo após a divulgação da decisão, a ferramenta FedWatch, do CME Group, passou a indicar cerca de 70% de probabilidade de uma alta de juros na reunião de setembro. Antes do anúncio, essa expectativa era de aproximadamente 80,5%, mostrando que o mercado continua enxergando uma elevação como o cenário mais provável para os próximos meses.
Esta foi a segunda reunião do Fed sob o comando de Kevin Warsh, indicado pelo presidente Donald Trump para presidir a instituição. Desde que assumiu o cargo, em junho, Warsh adotou uma comunicação mais objetiva e com menos detalhes sobre a avaliação econômica e os próximos passos da política monetária. A mudança tem aumentado a cautela dos investidores, que passaram a depender ainda mais dos indicadores econômicos e das declarações dos dirigentes do banco central para antecipar os rumos dos juros nos Estados Unidos.
(Com O Estado de S.Paulo)
Por Redação Rádio Pampa | 29 de julho de 2026
O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, decidiu nesta quarta-feira (29) manter a taxa básica de juros na faixa entre 3,5% e 3,75% ao ano. A decisão era a mais esperada pelo mercado financeiro, mas esteve longe de ser um consenso, tanto entre investidores quanto entre os integrantes da própria autoridade monetária.
Antes da reunião, os contratos futuros de juros negociados no CME Group indicavam cerca de 65% de probabilidade de manutenção da taxa e pouco mais de 35% de chance de uma elevação de 0,25 ponto percentual. Normalmente, às vésperas das decisões do Fed, uma das alternativas costuma concentrar entre 90% e 95% das apostas do mercado, o que evidencia o nível de incerteza que antecedeu o encontro.
A votação também chamou atenção pelo elevado número de dissidências. Nove integrantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) votaram pela manutenção dos juros, enquanto Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan defenderam um aumento de 0,25 ponto percentual. Foi o maior número de votos divergentes em uma decisão do Fed desde 2016. Antes da reunião, parte dos analistas esperava apenas dois votos favoráveis à alta dos juros.
O resultado reforçou a percepção de que cresce, dentro do banco central americano, a preocupação com a inflação, sobretudo após a disparada dos preços do petróleo provocada pela escalada das tensões no Oriente Médio. Embora o comunicado divulgado pelo Fed tenha sofrido poucas alterações em relação ao encontro anterior, o placar da votação foi interpretado como um sinal de que novas altas de juros permanecem sobre a mesa.
Para Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, a divisão entre os dirigentes aumenta a expectativa de aperto monetário nas próximas reuniões.
“Nove membros votaram a favor da manutenção e três defenderam o aumento da taxa em 0,25 ponto percentual, o que reforça a expectativa de elevação em algum momento no futuro, a não ser que o choque de preços, especialmente motivado pela geopolítica, seja endereçado”, afirmou. Segundo ela, o comunicado manteve praticamente a mesma redação da reunião anterior, preservando o compromisso do Fed com a estabilidade dos preços.
Na avaliação de Vinicius Flores, gestor de investimentos e fundador da Stratton Capital, a decisão transmitiu sinais distintos ao mercado. Segundo ele, o comunicado adotou um tom mais moderado ao reconhecer que parte da inflação decorre de choques de oferta, enquanto a votação revelou um comitê mais inclinado a discutir novos aumentos dos juros.
“O Fed reconheceu que a inflação elevada reflete, em partes, choques de oferta, que não se combatem com juros mais altos. Ao fazer essa separação, a instituição sinalizou que entende a natureza do problema e que não pretende reagir de forma automática a uma pressão inflacionária que está fora do seu controle”, avaliou Flores.
Ao mesmo tempo, o gestor ressaltou que a mudança no placar em relação à reunião anterior merece atenção. “Essa dissidência tripla mostra que o apetite por aperto monetário está crescendo dentro do comitê”, disse.
Logo após a divulgação da decisão, a ferramenta FedWatch, do CME Group, passou a indicar cerca de 70% de probabilidade de uma alta de juros na reunião de setembro. Antes do anúncio, essa expectativa era de aproximadamente 80,5%, mostrando que o mercado continua enxergando uma elevação como o cenário mais provável para os próximos meses.
Esta foi a segunda reunião do Fed sob o comando de Kevin Warsh, indicado pelo presidente Donald Trump para presidir a instituição. Desde que assumiu o cargo, em junho, Warsh adotou uma comunicação mais objetiva e com menos detalhes sobre a avaliação econômica e os próximos passos da política monetária. A mudança tem aumentado a cautela dos investidores, que passaram a depender ainda mais dos indicadores econômicos e das declarações dos dirigentes do banco central para antecipar os rumos dos juros nos Estados Unidos.
(Com O Estado de S.Paulo)